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Depoimento GT Assistencial
Quando inovação, ciência e voluntariado ampliam o alcance da saúde
Dra. Nazareth Ribeiro Líder do Grupo Técnico Assistencial da AVS
“Tecnologia não substitui o cuidado humano, mas pode ampliar extraordinariamente nossa capacidade de cuidar. Essa convicção acompanha minha trajetória profissional há décadas.
Muito antes de a telemedicina ganhar espaço nas políticas públicas, comecei a experimentar possibilidades de atendimento mediado por tecnologia.
Há 30 anos, quando ainda se falava em atendimento à distância ou web counseling (aconselhamento e terapia online), passei a realizar atendimentos psicológicos utilizando recursos digitais, algo ainda pouco conhecido naquele momento.
Hoje, a saúde digital se consolidou como um importante caminho para ampliar o acesso, reduzir desigualdades e fortalecer a assistência, movimento que ganhou enorme relevância durante a pandemia de Covid-19.
Ao longo da minha trajetória, sempre busquei incorporar tecnologias capazes de ampliar o impacto do cuidado na vida das pessoas. Em 2007, introduzi o uso de neurofeedback (*) e biofeedback (*) na prática clínica e, mais recentemente, acompanho soluções baseadas em inteligência artificial voltadas ao diagnóstico precoce de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Essas experiências reforçaram algo em que sempre acreditei: a tecnologia precisa estar a serviço da qualidade de vida, da saúde e do bem-estar das pessoas.
Durante a pandemia, tive a oportunidade de coordenar a equipe de psicólogos voluntários do projeto Saúde Digital MG, iniciativa da Secretaria de Saúde de Minas Gerais voltada ao atendimento remoto da população. Também participei de discussões sobre regulamentação da telemedicina e, mais recentemente, do atendimento psicológico remoto às pessoas impactadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
Mesmo conciliando atendimentos clínicos, mentorias, aulas e projetos profissionais, sempre reservei espaço para o voluntariado. Aprendi que, muitas vezes, quem oferece cuidado também recebe muito em troca. Solidariedade, escuta e acolhimento continuam sendo insubstituíveis.
Minha atuação na Associação Voluntários da Saúde (AVS) está profundamente conectada a essa jornada. Na liderança do GT Assistencial, buscamos utilizar tecnologia para ampliar o impacto das ações da associação. Um exemplo foi a criação de uma ferramenta diagnóstica digital para apoiar a análise e o acompanhamento das instituições atendidas, tornando os processos mais ágeis e estruturados.
A experiência na AVS reforçou uma convicção central da minha vida profissional: inovação em saúde não nasce apenas da tecnologia, mas da colaboração entre pessoas comprometidas com o bem comum. A tecnologia pode conectar sistemas, mas é a sensibilidade humana que conecta pessoas e é nessa conexão que a saúde realmente acontece.”
(*) Nota da autora:
Biofeedback é a técnica de monitoramento de sinais fisiológicos do corpo para promover autorregulação neuropsicológica e emocional.
Neurofeedback é a modalidade de biofeedback voltada ao monitoramento da atividade cerebral, visando ao equilíbrio e à autorregulação do cérebro.
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